Precificando o que não tem preço VII
No meio desta situação ainda encontram-se os provedores do serviço, os médicos e cirurgiões, que em última instância ainda são os responsáveis pelo tratamento. Mas também não passaram ilesos pelo processo de pressão de custos, sendo obrigados muitas vezes a limitarem o que usar e quanto usar, ou solicitar aprovação prévia às empresas operadoras de saúde sobre o que gostariam de utilizar. Com isso, foi aberto um espaço para uma área delicada de interação da indústria de materiais médico-hospitalares com os provedores para que gerassem demanda de seus produtos. Para piorar, caminhando na contramão desta realidade, as indústrias, principalmente as multinacionais, continuaram desenvolvendo soluções cada vez mais complexas e de preço elevado para um sistema pressionado por todos os lados. Não possuo evidência sistemática de como as pressões por custos conduzidas pelas operadoras afetou a lucratividade dos hospitais ou a remuneração dos médicos, mas arrisco dizer que o mercado como um todo hoje sofre com a rentabilidade do sistema e cada um tenta extrair o que pode.