Artigo Publicado na Revista Financial Officer I
Saber identificar e capturar valor através da gestão estratégica de preços é a chave para criar e sustentar vantagens competitivas num ambiente de inovação e diferenciação de produtos e serviços
Texto: Rubens Kroeff
Fotos: Kelsen Fernandes
“Hoje as empresas prestam atenção no movimento estratégico dos concorrentes estrangeiros não apenas na questão dos preços baixos, porque cópias chinesas de certos produtos, por exemplo, já não podem ser sempre taxadas como sinônimo de má qualidade”, diz o Vice-Presidente de Finanças da WHIRLPOOL ,
João Carlos Costa Brega
Marcelo do Amaral Leite, da CONSAT
“Há clientes que nos deixaram e, tão logo perceberam
que haviam perdido valor, retornaram a nossa carteira”
.
Muitas empresas ainda hoje determinam preços de produtos e serviços usando estratégias criadas na era da revolução industrial - focando a redução dos custos, na
expectativa de ganhar com o aumento da escala de produção. Esta estratégia foi aplicada com sucesso no pós-guerra, a partir da década de 50, quando o desenvolvimento tecnológico e a capacidade ociosa da indústria-da-guerra
foram redirecionados para a produção em massa de bens de consumo.
Esse caminho ainda é parcialmente válido para a formação de preços de algumas commodities. Mas não se adequa à maioria dos produtos e serviços na economia globalizada e competitiva pós-anos 90. Pois as transações nem sempre estão atreladas a volumes e padrões. E a geração de valor, em muitos casos, advém mais da diferenciação do que da redução de preços.
A desestabilização provocada pelo crescimento industrial da China competindo em escala global com preços baixos cria a ilusão de estarmos diante de mais uma pressão cíclica. Ou de uma onda que será sucedida por outra onda. Mas não é o caso: a pressão por preços baixos parece ter vindo para ficar e ainda tem fôlego para muitas décadas à frente.
Admite-se, então, que – em se tratando de vantagens competitivas das nações, como é o caso da China – tordas como sinônimo de má qualidade. Além disso, a competição vem de todos os lados, inclusive da Índia e do Leste Europeu”, diz João Carlos Costa Brega, Vice-Presidente de Finanças da WHIRLPOOL, dona das marcas BRASTEMP e CONSUL, que lidera com 40% de participação as vendas no mercado de bens de consumo duráveis representado por refrigeradores, freezers verticais e horizontais, condicionadores de ar, fogões, lavadoras, lavalouças, fornos de microondas, depuradores de ar, centrifugadoras de roupa, climatizadores e ventiladores de teto. A terceira fonte de pressão competitiva vem de novas práticas de gestão e operação da cadeia de valor. A esta se incorporam a pressão regulatória, que exige constantes investimentos e aumento de custos para que as empresas ajam em conformidade com leis ambientais, de segurança, de proteção à sociedade, etc., e também a força da Internet como balcão-de-compra-e-venda, que torna transparente o mercado e facilita a comparação instantânea de preços. na-se extremamente arriscado focar a competitividade apenas na redução de preços, pois são inalcançáveis por empresas localizadas em economias hostis à produção, como é o caso do Brasil. Nesse raciocínio, as empresas precisam buscar novas fontes de vantagem competitiva que não sejam totalmente dependentes da redução de custos. Mesmo porque novas fontes de pressão – que também não são cíclicas e vieram para ficar – surgem para desafiar os estrategistas. A primeira delas é pressão exercida pelo poder de compra de grandes varejistas – Carrefour, Wal-Mart, Pão de Açúcar, Casas Bahia, por exemplo – sobre os fornecedores de produtos, forçando-os a reduzir custos e a encolher suas margens constantemente.
A segunda pressão é exercida pela inovação tecnológica constante facilitando a substituição de produtos por outros cada vez mais leves, menores e eficientes, que destroem vantagens competitivas, arduamente construídas, da noite para o dia. E o avanço da tecnologia da informação e comunicação torna ainda mais fácil a concorrentes copiarem processos gerenciais, então desenvolvidos como vantagem competitiva intangível. É o caso da entrada cada vez maior de produtos de baixo custo importados da China ou Índia. Diante deste fato muitas empresas se movimentaram fortemente na direção de reduzir custos para conservarem suas posições de mercado e sua rentabilidade – mas a realidade demonstra que esses esforços não têm sido suficientes para conservar sua competitividade. “Hoje as empresas prestam atenção no movimento estratégico dos concorrentes estrangeiros não apenas na questão dos preços baixos, porque cópias chinesas de certos produtos, por exemplo, já não podem ser sempre taxadas como sinônimo de má qualidade. Além disso, a competição vem de todos os lados, inclusive da Índia e do Leste Europeu”, diz João Carlos Costa Brega, Vice-Presidente de Finanças da WHIRLPOOL, dona das marcas BRASTEMP e CONSUL, que lidera com 40% de participação as vendas no mercado de bens de consumo duráveis representado por refrigeradores, freezers verticais e horizontais, condicionadores de ar, fogões, lavadoras, lavalouças, fornos de microondas, depuradores de ar, centrifugadoras de roupa, climatizadores e ventiladores de teto.